sexta-feira, 25 de maio de 2012

ABRINDO ESPAÇO PARA AS CRIANÇAS EM SUA VIDA




 Tim Seldin é presidente da “The Montessori Foundation” e co-autor de “Celebrations of Lifee “The World in The Palm of Her Hand” , é dele o texto abaixo que pode ajudar cada família na organização da casa para as suas crianças.


Nosso papel como pais.

A vida interior da criança

Maria Montessori nos ensinou a ver cada criança como um ser único; um embrião espiritual vivo, com possibilidades e pronto para crescer espiritual, moral e psicologicamente.

Ela escreveu:

 “Os seres humanos são lentamente formados. Cada um de nós é “feito à mão”, e cada indivíduo é diferente de todos os outros, com seu espírito característico como se fosse uma obra de arte natural. Criada por um processo que leva muitos anos.

A vida interior da criança é um enigma. Só o que sabemos sobre a criança é que poderá ser qualquer coisa, mas ninguém sabe o que será ou o que fará.

O desenvolvimento humano é exatamente como o processo necessário para produzir uma obra de arte, que o artista, isolado na intimidade do seu atelier, modifica e transforma antes de levá-la a público. O processo pelo qual a personalidade humana é formada está na obra oculta da sua auto-construção.”

Montessori entendia que a criança era um embrião espiritual , cujo processo de desenvolvimento  deveria acabar por permitir que fosse capaz de agir independentemente no mundo.

            Assim como o embrião humano antes do nascimento, esse embrião espiritual, que é a jovem criança, deve ser protegido de ambientes hostis através do calor do nosso amor e acolhimento.

As crianças aprendem com seus erros.

Os adultos com freqüência presumem, equivocadamente, que as crianças desenvolvem seu caráter apenas através dos cuidados e da educação que recebem em casa, ou seja da “criação”. Acreditamos que podemos moldar a personalidade e o destino de uma criança através de aconselhamento correto e tentativas de guiar seu desenvolvimento.

As crianças trazem consigo a chave para o seu próprio desenvolvimento. Suas primeiras tentativas para expressar sua individualidade são hesitantes e experimentais.

Nossas crianças pensam que tudo sabemos e tudo podemos. Essas tentativas são facilmente esmagadas pelas nossas melhores intenções.

Nossos esforços para proteger nossas crianças de erros que parecem tão óbvios, do nosso ponto de vista, tendem a frustrar o seu processo de auto-aprendizado sobre a vida.

Precisamos aprender a identificar e respeitar os esforços que a  criança faz  para desenvolver uma personalidade independente, porque através desse processo criativo ela literalmente “molda” o futuro adulto.

Como pais, é nossa obrigação tentar entender as necessidades psicológicas de nossos filhos e preparar em nossas casas um ambiente favorável para eles, afinal esta é a função inerente aos adultos em cada espécie.

Montessori sentiu que muitas vezes os pais, embora agissem com as melhores intenções, tendiam a atrapalhar e frustrar o processo de crescimento  dos filhos .

O papel principal dos pais é ajudar a criança a amadurecer independente e responsável. Com freqüência, compreendemos mal o que podemos fazer e o que não devemos fazer para realmente facilitar o processo de desenvolvimento natural da criança. Temos tendência a superproteger, não compreendendo que nossos filhos somente podem aprender sobre a vida através da tentativa e do erro, assim como nós aprendemos.

Nosso papel como pais é ajudar nossos filhos a aprender a viver em paz e harmonia com as pessoas e com o ambiente.

Trabalhamos para criar um lar em que eles possam aprender a agir como pessoas independentes, responsáveis, “pensantes”.

Para sermos realmente bem-sucedidos no nosso papel de pais, precisamos tratar nossos filhos com tremendo respeito, como plenos e completos seres humanos que por acaso estão sob nossos cuidados. Eles precisam sentir que podem livremente ser quem e o quê são.

Ser livremente o que é ,não inclui deixarmos nosso filhos à sua própria sorte , é preciso cuidá-los.

Precisamos realmente deixá-los sentir o nosso respeito; falar simplesmente não é suficiente. Se eles acreditarem que não estão vivendo à altura das nossas expectativas, que estamos desapontados com as pessoas que estão se tornando, eles poderão ficar emocionalmente marcados por toda a vida.

Uma criança que não se sente aceita pelos seus pais pode somente vagar pela vida olhando-a de fora como um estranho.



Os pais ensinam valores aos filhos


Um de nossos objetivos fundamentais como pais é inspirar os corações de nossos filhos. Nós não somente compartilhamos com eles as nossas crianças, mas também ensinamos nossos valores, ética e o sentido do que é realmente importante e maravilhoso: amor, cordialidade e confiança na bondade fundamental da vida. De maneiras simples, encorajamos nossos filhos a iniciar a jornada para estarem plenamente vivos e serem plenamente humanos. Tudo que fazemos visa cultivar neles um sentido de alegria e apreço pela vida, um sentido poético, e construir a compreensão  da inter-relação da espécie humana com o universo.

Conscientemente ou não, ensinamos nossos valores às nossas crianças. Compartilhamos confiantemente o objetivo de ensiná-las a compreender e respeitar as reais diferenças entre diferentes culturas, pois embora sejamos todos iguais por dentro, somos muito diferentes uns dos outros nas maneiras como vivemos nossas vidas e percebemos o mundo. Para construir um mundo melhor, devemos aprender a ver as pessoas como elas realmente são . Não temer o que nos é estranho e difere amplamente dos nossos costumes. Assim como as crianças podem aprender a odiar, elas podem aprender a amar com seus pais.

Para poder viver feliz quando adulto, a criança precisa de duas coisas: um forte sentido de sua identidade à parte da de seus pais, e um sentido de sua plena participação não somente na família, mas também na comunidade em que vive. Nossa obrigação moral é facilitar-lhe a transição da infância à maturidade e ensinar-lhe os conhecimentos necessários para ser bem-sucedida na escola, na universidade, no local de trabalho, e no momento cultural em que vive. Esta é a nossa missão como mães e pais.

Acredito que devemos mostrar às nossas crianças uma imagem verdadeira do mundo, de acordo com a sua crescente capacidade de compreensão.

Elas não devem nunca estar inseguras ou confusas sobre o que apoiamos. Embora, naturalmente, elas aprendam mais com aquilo que fazemos do que com o que falamos. Nossas ações devem ser consistentes com os nossos valores.

Para que as crianças cresçam emocional e moralmente completas, elas devem ser capazes de entender e confiar nos adultos importantes em suas vidas .

Para que possam  aprender a pensar e julgar por conta própria elas mas elas começam tendo a nós  como seu exemplo.



Estabelecendo um clima de amor



As crianças são extremamente sensíveis ao clima emocional dentro da família. Elas nos amam e basicamente querem que estejamos satisfeitos com elas. Isto não significa que sempre se portarão bem. Toda criança testará as regras e irá se comportar mal até certo ponto. De fato, muitos atos de mau comportamento são parte normal do seu processo de crescimento.

            O mau comportamento das crianças é geralmente sua forma de expressar sentimentos que não entendem, e de nossas respostas elas gradualmente aprendem como lidar apropriadamente com suas emoções. Testando os limites, aprendem que realmente nos importamos com certas regras básicas de virtude e cortesia em nosso relacionamento. Com esse comportamento, elas dão seus primeiros passos experimentais na direção à independência, tentando demonstrar que nós não as controlamos completamente.

Entrem em acordo sobre as regras básicas de sua família e coloquem-nas por escrito onde os pais possam consultá-las. Ensinem seus filhos como fazer o que é certo em vez de se concentrarem nas suas transgressões. Sejam consistentes! Se vocês não estiverem dispostos a reforçar uma regra inúmeras vezes, então esta não deverá ser uma regra básica em sua casa.

É preferível ter algumas poucas mas boas regras do que dúzias de regrinhas que ninguém se lembra.

Em minha casa há somente umas poucas regras básicas: seja cordial e gentil e trate com respeito todas as formas de vida; não choramingue; fale a verdade e não tenha medo de admitir que você errou, apenas faça o melhor que puder para aprender com o erro; se quebrar algo, limpe.

Nunca me impressionei com o uso de ameaças e castigos para obrigar as crianças a se comportarem. De acordo com a minha experiência, as crianças que reagem a ameaças e ficam abaladas com castigos estão ansiosas para agradar-nos e reconquistar nosso amor. Por outro lado, quando as crianças estão zangadas ou reivindicando sua independência, elas geralmente não ligam se são castigadas.

Castigos e ameaças dão às crianças uma escolha que eu não creio que deva ser dada. Estamos efetivamente dizendo: “Você pode decidir se prefere seguir as regras da nossa família ou aceitar as conseqüências. De qualquer forma, para mim dá no mesmo. Para mim tanto faz ralhar e punir você, ou fazer com que siga as regras básicas da família”.Castigos simplesmente não são tão eficazes como presumimos.

Em casa, assim como na escola, tento me concentrar em ensinar as crianças a fazer as coisas corretamente, enfatizando o positivo em vez de usar insultos e irritação. Não vou enganá-los: nem sempre é fácil. Acima de tudo, tento nunca fazer perguntas estúpidas aos meus filhos, tais como “Quantas vezes tenho que lhe dizer…?”, para a qual a resposta apropriada é “Eu não sei, pai. Quantas vezes você tem que me dizer?”. Faça uma pergunta boba e terá uma resposta boba.



Criando uma atmosfera de amor


As crianças são realmente tão sensíveis e impressionáveis que seria ideal se controlássemos tudo que dizemos e fazemos, porque tudo está gravado em suas memórias.

Nossos filhos nos amam com profunda afeição. Quando vão para a cama eles querem que fiquemos com eles enquanto adormecem. Quando trabalhamos na cozinha, eles freqüentemente querem ajudar. Quando sentamos para jantar, querem se juntar a nós. Poderíamos nos preocupar achando que os estragamos quando ouvimos seus apelos, mas não deveríamos. Eles só querem que lhes demos atenção. Eles querem ser parte do grupo. Montessori escreveu:



“Quem mais choraria por desejar intensamente estar conosco enquanto comemos? E com quanta tristeza diremos um dia “agora ninguém chora para me ter por perto enquanto adormece”. Somente uma criança diz todas as noites “não me deixe; fique comigo”, e o adulto responde “Eu não posso, tenho muito o que fazer, e que besteira é essa?”E acha que a criança tem de ser corrigida ou transformará todos em escravos do seu amor”.

Às vezes a criança acorda pela manhã e vai acordar seus pais, que prefeririam dormir; todos reclamam deste tipo de coisa. Ela sai de mansinho da sua cama, aproxima-se dos seus pais e toca-os suavemente. Na maioria das vezes eles dizem “Não me acorde pela manhã”, e a criança responde. “Eu não acordei vocês; eu só beijei vocês!”

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Liberdade é a melhor escola de disciplina !

Liberdade é a melhor escola de disciplina !
Artigo de Maria Montessori publicado no jornal The San Francisco Call & Post, em 25 /8/1915 Tradução livre para estudo por Marcia Righetti

O que significa disciplina ?

Tal conceito de disciplina não é fácil, nem de compreender-se nem de se obter, mas por certo contem um outro principio educativo, bem diverso da coerção absoluta e indiscutível e da imobilidade . É necessário que a professora tenha uma técnica especial para conduzir o menino sobre tal via de disciplina , na qual ele depois deverá caminhar durante toda a vida avançando indefinidamente para o aperfeiçoamento . Como a criança tem o impulso natural para mover-se ,prepara-se não para a escola , mas para a vida, desenvolvendo um indivíduo correto nas atitudes , pelas praticas que envolvem também as manifestações sociais, assim a criança se habitua a uma disciplina não limitada ao ambiente da escola mas a própria sociedade. A liberdade da criança deve ter como limite o interesse coletivo: como forma do que chamamos educação das maneiras ( boas maneiras) no relacionamento com os outros. Devemos impedir ao menino tudo quanto pode ofender ou prejudicar o outro ,aquilo que tem significado de ato indecoroso ou grosseiro. Mas todo o resto, cada manifestação advinda de uma intenção útil , qualquer que seja e de qualquer forma explicada, deve ser não só permitida mas deve ser observada pela professora : este é o ponto essencial! Da preparação cientifica da professora vai resultar o que vai conquistar além da capacidade para realizar sua tarefa o interesse como um observador dos fenômenos naturais .

Professores pacientes

A professora , em nosso sistema deverá ser paciente, muito mais que em constante atividade , a sua paciência será composta de ansiosa curiosidade cientifica e de respeito absoluto aos fenômenos que vai observar. É necessário que a professora entenda e sinta a sua posição de observadora . Na atividade deve estar o fenômeno . A ação do professor não deve então somente permitir, mas realmente incentivar, todas as expressões de impulsionadas pelos aspectos positivos , não obstante a natureza ou a forma. É essencial que o professor seja paciente, isto é melhor que todas as técnicas pedagógicas., deve ter competência cientifica para realizar uma observação, e deve ser sensível o bastante para apreciar as várias manifestações da inteligência curiosa da criança. Nenhuma expressão espontânea desta inteligência curiosa deve ser sufocada. É difícil estimar o dano que pode resultar desta prática à criança pessoalmente, e mais difícil de estimar a perda no avanço da raça humana. Algum dos sentimentos mais refinados , das idéias as mais brilhantes, e do estímulos de personalidades originais deixam de se expressar , porque todo o ímpeto para a expressão original foi sufocado com a correção e a crítica precoce . Expressões que parecem erradas podem estar corretas , mas é preciso saber diferenciá-las . O professor que usa meu método não deve somente refrear a expressão pessoal da criança, ou impor uma forma convencional, prescrita da conduta, exceto quando esta é prejudicial à criança ou a outro. Em minha primeira escola em Roma, eu observei, uma manhã, uma menina pequena que atuava de forma ruidosa sobre a sala de aula, fazendo gestos incomuns. O professor parou imediatamente a criança com alguma palavra de correção. Eu observava de perto e prestava atenção à esta menina pequena , cujos movimentos estranhos me pareceram ter algum motivo real. Ao questioná-la eu descobri que o professor pela correção distorceu a sua ação e impediu-a de realizar o que seria uma idéia digna: ensinar às outras crianças como realizar com os cerimoniais apropriados alguns atos litúrgicos da igreja – estes eram os seus gestos “incomuns “. Colocando-se no papel de um professor. Ajuda – me a fazer-me por mim. Em uma outra ocasião eu observei um grupo das crianças recolhidas em torno de uma bacia com água que continha alguns objetos flutuando. A parte do grupo estava uma criança muito pequena que manifestava a curiosidade considerável pelo que as outras crianças estavam olhando, mas que era incapaz, dado o seu tamanho, forçar sua passagem para chegar até a bacia. Observando-a de uma distância pequena e vi a expressão do prazer genuíno que veio em sua cara enquanto carregou uma cadeira pequena até o grupo e conseguiu estar nele e olhar sobre as cabeças das outras crianças. O professor viu seus esforços, e, com o mais amável dos motivos, acolheu a criança nos seus braços e colocando a criança em posição confortável disse:- Pronto, pequeno, agora você pode ver tudo muito melhor! Sem perceber o professor distorceu o verdadeiro trabalho e esforço da criança e sua expressão do prazer e do triunfo desapareceram imediatamente. Evidente a criança não sentiu o sentido de gratificação que estaria para ela em superar o obstáculo com seus próprios recursos. A visão do objeto flutuando na bacia não trouxe a alegria, nem a força que resulta com realização pessoal para se alcançar de um objetivo mais importante. Neste caso o professor impediu que a criança atingisse um ponto o mais vital na instrução sem tê-la feito mais feliz. O pequeno estava a ponto de experimentar toda a emoção da vitória, e encontrar-se impotente nos braços do professor frustrou-o. O olhar de intensa energia da concentração intensas que me tinha interessado deu lugar à uma expressão estúpida de pessoa que sabe q
ue outra assumirá a responsabilidade, que outros agirão para ele.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ambiente , educador e material , uma trilogia montessoriana.

I – O ambiente : O instinto e o desejo fundamentais da criança são aqueles que a levarão a uma adaptação ao mundo das coisas e das pessoas, medindo e comparando o que sua personalidade permite, a cada circunstância. O ambiente social, escreveu Maria Montessori, é aquele no qual a individualidade se apresenta com diferentes exigências e níveis diversos .Por este mesmo fato a escola é um ambiente que deve acolher a criança de idades heterogêneas; adaptado ao trabalho individual e de pequenos grupos. O seu parâmetro de medida é semelhante ao da casa, com espaços articulados, irregulares e ricos de ângulos e cantinhos tranqüilos, onde se pode trabalhar, pensar, imaginar; com o próprio tempo que cada um precisa, o seu ritmo interior. É também o ambiente preparado no sentido de medida, com objetos e mobiliário proporcionais à idade e ao corpo da criança; revelador da exatidão da ordem; qualidade que sugere uma disciplinada atividade autônoma. Ambiente acolhedor e calmo, seguro; no qual é visível um positivo senso de competências. Um ambiente em que a criança possa mover-se livremente , sem necessitar do controle do adulto ao qual a administração e os cuidados são delegados com a finalidade de mantê-lo como lugar aberto a escolha e ao trabalho das crianças. Móveis, mesas e cadeiras devem ser escolhidas de modo que a criança possa transportá-los.Isto favorece uma parte do trabalho da vida prática, para a criança chamada a empregar algum esforço físico para posicioná-los no ambiente ou transportá-los. Pelo mesmo critério educativo, as crianças de uma escola Montessori usam pratos de louça, copos de vidro ,que parecem tão frágeis. As crianças são assim “convidadas “a desenvolverem movimentos coordenados, precisos para poderem manusear tais objetos sem quebrá-los. Em todos estes caso o exercício de auto controle se faz presente e oferece a possibilidade da auto correção, da prudência, do respeito, fazendo-se, a criança, mestre do seu próprio movimento e agente do seu próprio processo educativo. “Assim a criança avança na sua própria perfeição, assim ela vai poder coordenar perfeitamente os seus movimentos voluntários”. ( Maria Montessori, L’ Autoeducazione nelle scuole elementari) A atmosfera escolar torna-se o ambiente da vida no qual as crianças aprendem a desenvolver o prazer por manter a ordem , a limpeza, a beleza. Estes exercícios exatamente definidos na vida prática, tem uma função importante e significativa, estão na "casa das crianças" (Educação Infantil) onde favorecem o desenvolvimento psico-físico e a coordenação dos movimentos, ele é na escola elementar (Ensino Fundamental) realizado com maior autonomia e envolvido nas questões da responsabilidade de cada um para com os cuidados com o seu espaço, relacionando-se com a ecologia ambiental, maior dimensão da autonomia responsável, conseqüentemente da socialização e da cidadania. enfoque escolhido pela Metodologia Montessori delega ao adulto ensinar a criança a agir com responsabilidade no uso dos objetos e apetrechos do ambiente. É dessa maneira que a criança vai desenvolvendo a responsabilidade e “dando-se conta dos riscos” pois está conectada com o uso apropriado dos objetos que fazem parte do seu mundo real. O adulto, que prepara o ambiente deve observar o desenvolvimento da criança para poder introduzir “os riscos” para o qual ela já está preparada. Na educação infantil o ambiente será: • Proporcional às capacidades motoras, operativas e mentais das crianças para ser ativamente utilizado e dominado. • Ordenado e organizado com a finalidade de proporcionar, através dos pontos de referencia classificados, que a criança possa formar uma própria visão da realidade, que tenha o caráter de trazer a criança à calma para que encontre o equilíbrio emocional . • Cuidado e bem articulado nas particularidades para estimular a criança a descoberta do erro e a auto-correção . • Atraente e belo afim de que seja suscitado o natural amor estético da criança sobre tudo o que revela qualidades de gentileza, de ordem, de grandeza, de cuidado e atenção. • Calmo e harmonioso para favorecer a livre expansão dos interesses e das experiências e uma positiva dimensão psico - afetiva necessária, para construir a confiança em si próprio e nos outros. Como se nota, o ambiente típico de uma escola Montessori, em qualquer segmento deve se distinguir pela presença dos instrumentos de trabalho psico-motor e intelectivo das crianças, instrumentos conhecidos como “materiais de desenvolvimento e de formação interior”. Sabemos que a criança, como todos os seres vivos, é guiada por um “misterioso” impulso vital para adaptar-se ao ambiente, absorvendo suas características. Sendo um ambiente confuso, instável, incompleto, inútil e desnecessário, privado de interesse e de atrativos e não diretamente utilizado por uma pessoal experimentação, a criança assimilará suas características negativas, sem poder exercitar-se de modo claro e preciso, comprometendo os próprios poderes psíquicos e mentais e, conseqüentemente, a formação e a construção do seu caráter. No Ensino Fundamental o ambiente será articulado de forma mais racional tendo em vista a busca mais ativa do conhecimento da cultura, que é característica desta idade. Deverá favorecer • • A experimentação e o trabalho de grupo; • A leitura e a consulta de textos, com uma biblioteca essencial na escola; • A coleção, o estudo e o valorização dos elementos fornecidos pela natureza (Observação, coleta e pesquisa de reálias com posterior organização de insetários, “pequenos museus de historia natural “ minerais etc ) • Uma • abertura maior para as questões do mundo , a vida alem dos portões da escola (a escola entra no mundo e o mundo entra na escola); • as atividades manuais amarradas ao "trabalho da humanidade, mas conectadas sempre ao desenvolvimento da mente: Maria Montessori escreveu "o trabalho das mãos deve sempre acompanhar o trabalho da mente para desenvolver uma unidade no trabalho da personalidade". Por apresentar os cuidados com a formação do caráter, com a construção de uma personalidade ativa e disciplinada, o ambiente educativo montessoriano é definido como um guia de vida e de cultura, como um ambiente educador . II - O trabalho organizado, a função do material e a mente da criança O trabalho organizado é a dimensão pratica na qual vivemos e realizamos os pressupostos científicos que sustentam a razão e a necessidade do Método Montessori. O primeiro considera que a criança, por sua natureza, comanda através de um impulso interior , delicado e profundo o seu próprio desenvolvimento psíquico . É a natureza que lhe sugere que coisa deve fazer, quando fazer e como fazer, é a natureza que guia a criação dos próprios órgãos psíquicos como os que possibilitam o movimento e a linguagem , por exemplo . Disposições transitórias surgem, favorecendo determinadas aquisições; elas presidem a preparação e formação de forças e poderes que não podem ser positivamente conquistados quando o correspondente período sensível cessa de agir de modo intenso e dominante. Portanto o desenvolvimento psíquico não acontece ao acaso, nem origina-se certamente de estímulos externos: a criança deve ser exposta ao ambiente no qual se desenvolverá, o ambiente é necessário para que a criança possa agir e encarnar a si própria, sua própria criação psíquica e mental , resultado de uma vontade interna e de um misterioso segredo vital. “Nesta interação sensível entre a criança e o ambiente está a chave que pode abrir “o invólucro” no qual o embrião espiritual cumpre o milagre do crescimento“. O segundo pressuposto afirma que a criança tem uma forma mental própria e diferente do adulto: é a mente, inconsciente e absorvente, criadora da natureza do homem e da sua cultura, movimento, linguagem, pensamento, amor. Mas a criança não cria e absorve ao acaso e sim através de uma guia severa e ordenada. Ela segue leis constates que criam normalmente os fatos do desenvolvimento, respeitando os tempos de manifestação e de explosão. Somente pelo fato de viver a criança aprende, ou melhor, absorve e faz “seu mundo “do ambiente em que vive, oferecendo a sua atenção e transformando em cultura da civilização o que absorve e assegurando assim a continuidade histórica da Humanidade. A escola, a partir destes fatos e fenômenos naturais, dedicada a cultivar o potencial da humanidade ajuda à sua expansão e formação. A cultura da criança é assim o resultado de seu livre trabalho, no curso de experiências pessoais, onde ela absorve os elementos constitutivos que se fixam no seu espírito, forma o seu caráter preparando-se para dar novos frutos. A escola por si própria e as aulas não são espaços de confinamento limitados, mas lugar de historias e experiências, pois que a criança, circulando livremente, descobre possibilidades de trabalho e de construção do conhecimento. A criança, instintivamente, se coloca onde há oportunidade de trabalho, de experiência, de observação, de estudo. A Escola Montessori rejeita a “concepção segmentária “do tempo e do espaço uma vez que qualquer tempo e qualquer espaço são educativos. A criança deseja conhecer e saber, perguntando e pesquisando,pensando e imaginando, procurando descobrir os fenômenos e os fatos, que devem ser explicados, justificados, vivenciados. No ambiente cada coisa é pensada para proporcionar uma visão ampla da realidade. Maria Montessori escreveu que a arte de instigar as crianças para novas descobertas está na forma como a professora conduz o seu discurso. Suas respostas devem satisfazer a criança e ao mesmo tempo instigá-la, com o seu entusiasmo, para novas pesquisas e novas atividades, A professora deve ser a nobreza que desperta na criança mais desejo para aprender , ampliando ela própria o seu conhecimento sobre a sua própria vida psíquica, penetrando com sua pesquisa nos campos inexplorados e alargando mais e mais os horizontes ; buscando novos conhecimentos nos quais se fortalece e cresce como pessoa . Diz ainda Montessori: “a escola deve ser vivificada por um novo espírito, deve ser animada por professores sábios, muito mais sábios do que qualquer outro individuo, que conhece e respeita as leis da educação”. A professora montessoriana não julga os resultados conseguidos pela criança, mas está atenta às causas que impedem ou retardam o seu processo de desenvolvimento; observa-as para entender e modificar as circunstancias Oferece as melhores possibilidades, corrigindo desvios que possam comprometer o desenvolvimento, como o cientista, que prepara o “campo“ para os melhores resultados da sua experiência. Por este motivo ela não é o centro das atividades desenvolvidas e está sempre vizinha de quem precisa de ajuda, junto a criança que solicita seu apoio ou sua presença, fala docemente e brevemente,ajuda sem interromper e corrigir , ajuda sem atrapalhar o trabalho da criança, sem dispersar sua concentração ou das outras crianças. E quando não é necessária sua ajuda, senta-se a um canto quietamente e observa o trabalho de suas crianças. O material Montessori é o capitulo central do método e a professora é responsável por apresentá-lo a criança demonstrando o seu uso, é ela a figura de contato e mediação do material . Ao apresentá-lo a criança instiga o exercício, assim a criança usa o nos exercícios desenvolvendo a inteligência, construindo conceitos e retirando informações .Penetrando no material estruturado as crianças se dão conta de como operam , pensam, constroem hipóteses, descobrem soluções de como classificam, resolvem problemas e modificam a própria representação mental. Neste sentido o material Montessori tem uma valor metacognitivo pois que se assenta em outro material e técnicas de aprendizagem .O material permite à criança agregar novas informações àquelas já conquistadas, escolhendo a estratégia e outras alternativas para apropriar-se de uma noção, de uma operação matemática, de um texto poético . Oferecendo um trabalho intimamente pessoal e proporcionando a experiência da conquista da própria autonomia. Necessariamente aberta ao estudo e a criatividade a professora Montessori que experimenta a e adota novos meios , criando novos materiais, em consonância com os princípios do Método Montessori, faz de seu ambiente um espaço dinâmico e apropriado à escola Montessori de nosso tempo. III - A professora Montessori: Como é evidente a professora Montessori assume o papel de facilitadora, de organizadora e observadora da vida psíquica e cultural da criança . Daquela que está sempre disponível para dar à criança a ajuda que ela precisa. Cabe-lhe os cuidados com o ambiente, preparando—o para as suas crianças e provendo-o de materiais necessários . A preparação dos materiais refere-se `a estruturação do espaço e do trabalho criativo, para a construção dos instrumentos da cultura necessários às atividades auto - educativas das crianças , tempo e momento dificilmente quantificados mas que dão a medida do que diferencia a professora montessoriana das demais ( pois certamente estas estariam envolvidas com infindáveis correções !!! ) O caráter da professora montessoriana: Se o espontâneo processo de auto-educação da criança deve ser ajudado e respeitado, a ação da professora perde o caráter de centralização , seja como sujeito da docência, seja como sujeito do controle Ela não impõe, nem dispõe,nem impede, mas propõe, estimula,orienta .E, sobretudo ela própria exercita. • A capacidade de observação das crianças e das interações destas com o ambiente. • A analise e utilização dos materiais de desenvolvimento, os quais estão sempre abertos a novas e surpreendentes descobertas .; • O respeito ao tempo e ao ritmo de aprendizagem sempre relacionado às diferenças e variáveis individuais . necessária sua ajuda, senta-se a um canto quietamente e observa o trabalho de suas crianças. O material Montessori é o capitulo central do método e a professora é responsável por apresentá-lo a criança demonstrando o seu uso, é ela a figura de contato e mediação do material . Ao apresentá-lo a criança instiga o exercício, assim a criança usa o nos exercícios desenvolvendo a inteligência, construindo conceitos e retirando informações .Penetrando no material estruturado as crianças se dão conta de como operam , pensam, constroem hipóteses, descobrem soluções de como classificam, resolvem problemas e modificam a própria representação mental. Neste sentido o material Montessori tem uma valor metacognitivo pois que se assenta em outro material e técnicas de aprendizagem .O material permite à criança agregar novas informações àquelas já conquistadas, escolhendo a estratégia e outras alternativas para apropriar-se de uma noção, de uma operação matemática, de um texto poético . Oferecendo um trabalho intimamente pessoal e proporcionando a experiência da conquista da própria autonomia. Necessariamente aberta ao estudo e a criatividade a professora Montessori que experimenta a e adota novos meios , criando novos materiais, em consonância com os princípios do Método Montessori, faz de seu ambiente um espaço dinâmico e apropriado à escola Montessori de nosso tempo. III - A professora Montessori: Como é evidente a professora Montessori assume o papel de facilitadora, de organizadora e observadora da vida psíquica e cultural da criança . Daquela que está sempre disponível para dar à criança a ajuda que ela precisa. Cabe-lhe os cuidados com o ambiente, preparando—o para as suas crianças e provendo-o de materiais necessários . A preparação dos materiais refere-se `a estruturação do espaço e do trabalho criativo, para a construção dos instrumentos da cultura necessários às atividades auto - educativas das crianças , tempo e momento dificilmente quantificados mas que dão a medida do que diferencia a professora montessoriana das demais ( pois certamente estas estariam envolvidas com infindáveis correções !!! ) O caráter da professora montessoriana: Se o espontâneo processo de auto-educação da criança deve ser ajudado e respeitado, a ação da professora perde o caráter de centralização , seja como sujeito da docência, seja como sujeito do controle Ela não impõe, nem dispõe,nem impede, mas propõe, estimula,orienta .E, sobretudo ela própria exercita. • A capacidade de observação das crianças e das interações destas com o ambiente. • A analise e utilização dos materiais de desenvolvimento, os quais estão sempre abertos a novas e surpreendentes descobertas .; • O respeito ao tempo e ao ritmo de aprendizagem sempre relacionado às diferenças e variáveis individuais Traduzido e adaptado por Marcia Righetti, a partir de “Projeto educativo para as crianças de 3 a 11 anos”, Opera Nazionale Montessori, Itália .www.montessori.it

sexta-feira, 30 de março de 2012

O significado do Metodo Montessori



“Eu desejo o homem que venceu a si mesmo e se desenvolveu espiritualmente . Eu desejo o homem que conservou o corpo sadio e forte. Eu desejo o homem que desejar unir-se a mim para procriar um filho ! Um filho melhor e mais perfeito, mais forte do que todos que já foram criados.”

Maria Montessori, Da infancia àAdolescencia Gazanti 1970


Nas primeiras décadas do século passado, quando Maria Montessori falava sobre seu trabalho, ela própria dizia que o Método Montessori poderia ser definido como uma ajuda à vida.
Uma ajuda com a finalidade de possibilitar à personalidade humana a conquista de sua independência; como um meio para libertá-la das opressões e dos prejuízos aos quais era submetida em nome da “educação”.
Para Maria Montessori era a personalidade humana e não o método de educação que deveria ser considerado. Sinalizava então que o conhecimento científico da natureza das crianças e o reconhecimento dos seus direitos universais deveriam ser o sustentáculo para qualquer procedimento educacional
O homem é universal, quer esteja na Índia, na Europa, na América ou no Brasil, as leis que regem o seu desenvolvimento são as mesmas.
Mas onde começa o desenvolvimento da personalidade humana, questionava então esta cientista italiana. Havia em Montessori a certeza de que o homem deveria ser educado de forma que pudesse redefinir a sua qualidade de vida e que para isso era necessário cuidar da educação das crianças .
Para entender a proposta educativa de Maria Montessori é necessário entendermos sua história, a história do próprio homem e aquele momento cultural .
Ela inicia seu trabalho numa época em que a psicologia apenas começa a despontar e fundamenta sua proposta de uma prática educativa focada na observação de cada criança .
Durante milhares e milhares de anos acreditava-se que a personalidade humana era “herdada” pelas crianças, de geração em geração e a construção da inteligência humana ; que distingue a raça humana das outras espécies animais tornando-a única sobre a Terra; era ignorada .
Como se forma a inteligência humana, por que processos passa, que leis regem tais processos?
Ora, se todo o universo se sustenta sob leis fixas é impossível que o homem, parte deste universo, não tenha sustentado seu próprio desenvolvimento sobre as mesmas leis.
Poder-se-ia, pois, afirmar que são as leis cósmicas que regem todo o universo as mesmas leis regem o desenvolvimento do homem.
A educação do ponto de vista genérico ,leva em conta as necessidades do homem considerando-o apenas como ser individual, com interesses imediatos para serem satisfeitos, competindo com outros indivíduos.
Poucos são os que se dão conta de que somente quando o progresso está relacionado ao bem estar comum ele se estabelece e se multiplica, mas muitas foram ,certamente, as situações vividas pela humanidade que comprovam tal afirmação.
Montessori declara que o homem precisa tomar consciência de sua própria história, perceber as inter-relações entre os seres, tomar posse do passado, da “sua” história para poder construir o futuro.
Mas para tudo isto não basta lançar um princípio abstrato ou propagar uma convicção , é preciso arregaçar as mangas e por mãos à obra . Construir cada etapa , assentar cada tijolo , tendo em mente a importância do trabalho a realizar.
E foi o que ela fez:
Quando tudo começou havia apenas a pequena “Casa dei Bambini “da vila de San Lorenzo, em Roma e corria o ano de 1907.
Hoje, teorias como as de Piaget,sobre o desenvolvimento da inteligência, de Gardner , sobre as múltiplas inteligências , de Golldman, sobre a inteligência emocional , de Emília Ferreiro , sobre a psicogênese da língua escrita e de outros tantos teóricos, ratificam e as práticas montessorianas. Afinal não fosse Montessori a cientista brilhante que foi com a visão da provisoriedade da verdade científica.
Seu sistema educacional tem como base a observação da criança, a criança de cada momento , de cada país , de cada raça , com suas particularidades , mas sempre a criança que constrói o homem.
E foi esta observação científica da criança que levou Montessori a concluir que durante o seu desenvolvimento até atingir a idade adulta , o ser humano passa por quatro fases distintas que ela denomina de quatro planos da educação . Uma que vai do nascimento aos seis anos, e que compreende uma fase com características particulares até os três anos ; outra que vai dos seis aos doze anos , a seguinte dos doze aos dezoito e por último dos dezoito aos vinte e quatro anos quando o homem se constitui pleno na fase adulta .
Em cada uma destas fases aprendizagens se concretizam, mostrando o ser em desenvolvimento aptidões especiais e temporárias que favorecem as aquisições nestes etapas , as quais Maria Montessori chamou de “períodos sensíveis” e que Gardner mais tarde denominará “janelas de aprendizagem “.
Hoje , espalhadas pelos quatro cantos do mundo, as “Escolas Montessori” se multiplicam.
Em ambientes estruturados, na medida da criança ou do adolescente, concretizando o que Montessori chama de “ajuda à vida “ , ou seja dispor no ambiente educativo o que o aprendiz necessitará para agir seu processo de educação , para que as aprendizagens possam acontecer de forma dinâmica e prazerosa como requer
Cada situação numa classe “Montessori “envolve uma possibilidade de exercício, pois o ambiente preparado instiga o aprendiz nas diferentes áreas .
Tanto pode ser na ecologia pessoal, aprendendo a cuidar de seu corpo, a alimentar-se , educando seus movimentos ou na ecologia ambiental ,aprendendo a zelar pela conservação da ordem e dos diferentes ambientes no espaço escolar ou mesmo na ecologia social, desenvolvendo atitudes e valores como verdadeiros construtores da paz , mas sempre entendendo que o conhecimento está a serviço do bem estar coletivo .
E é o olhar atento do educador montessoriano que perscruta a necessidade do aprendiz , provendo o “alimento” para a sua curiosidade natural , especial em cada etapa , desde a conquista da marcha, da linguagem oral , da escrita , dos valores morais , da independência , da autonomia da cidadania ...
Nestas escolas, o conhecimento acadêmico está diretamente relacionado e à serviço da responsabilidade social , da solidariedade e de outros tantos valores que subsidiam a construção da paz em cada um e em todos .
A educação precisa estar a serviço do homem e este por sua vez precisa entender a necessidade do seu serviço à Humanidade .
Esta é a visão cósmica, o que fundamenta Sistema Montessori de Educação .
Para Maria Montessori não bastava uma escola que apenas cumprisse com sua função acadêmica, ela queria mais: queria uma escola que pudesse “formar o homem completo”, consciente de seu papel na humanidade ,responsável consigo próprio e com os outros , capaz de harmonizar o corpo e o espírito, capaz de criar gerações cada vez mais capazes de buscar o próprio aprimoramento .


“A educação não tem o direito de reduzir a instrução a uma simples graduação para conseguir este ou aquele emprego. Este deve ser encarado apenas como um meio prático de nos inserirmos na sociedade , não se pode encarar tal circunstância como uma finalidade da educação ou estaríamos sacrificando o individuo. “
Da Infância à adolescência ,Ggarzanti 1970

A construção da paz entre os homens é sem dúvida alguma o objetivo maior de todo o Sistema Montessori, num olhar que transcende o hoje e olha para o sempre...Num olhar que percebe a grandiosidade do trabalho do homem neste planeta e de toda a sua História.
Um trabalho que tem seu começo em cada homem , em cada criança .

A Paz para Maria Montessori significado muito maior do que a “calmaria”aparente que surge no pós guerra. No seu discurso em Copenaghen em 1937, Maria Montessori diz :

“A paz é um princípio prático da humanidade e de organização social que se fundamenta na própria natureza do homem. Essa não o submete mas o exalta , não o humilha , mas o faz consciente do próprio poder sobre o universo É assim que se fundamenta a natureza do homem , é um principio único e universal, comum a todos os homens. Este principio deve conduzir a realização da ciência da paz e da educação dos homens para a paz “
Educação e paz ,41, Garzanti 1970